O mês em que fui voluntária das Olimpíadas e testei o Forxiga

Olá, pessoal

Como vocês puderam perceber eu sumi no último mês, mas foi por um ótimo motivo. Aliás, um motivo excelente. Tirei férias do trabalho e fui ser voluntária das Olimpíadas. Sim, eu estava lá e foi o máximo!

Mas o assunto aqui é mais outro: e aí, Luana, como foi trabalhar, conviver com tanta adrenalina, totalmente fora do rotina e ser diabética? Só tenho a dizer que aprendi muito mais sobre mim, sobre meu corpo e principalmente sobre como às vezes a gente precisa mudar todo o tratamento.

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Eu cheguei no Rio no dia 2 de agosto e já no dia 3 tinha ensaio geral da cerimônia de abertura. Uma semana antes as glicemias já estavam meio maluquinhas por causa de toda a ansiedade que estava sentindo. Chegar lá então me deixou mais maluquinha ainda e logo no meu primeiro dia uma escala totalmente fora do meu dia a dia normal. Teria que estar no Maracanã às 14h com previsão de saída às 00h.

Logo me perguntei, que hora será que vou almoçar, o que será que vai ter de almoço, tomo NPH antes de ir ou espero chegar lá para ter noção do horário e então tomar a insulina? Várias perguntar e, é claro, que eu me atrapalhei. Não tomei a NPH antes, tomei um café reforçado por volta das 11h (primeiro dia de férias, então acordei mais tarde). Levei umas bolachinhas e barrinha de cereal. Esperei saber o horário em que comeríamos lá e deu tudo errado.

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Pelas contas eu teria que tomar a NPH umas 14h30 porque lancharíamos às 17h. Mas me distrai emocionada por estar no Maraca e esqueci. Só lembrei que não tinha tomado na hora que paramos para comer e aí é claro que a glicemia já estava alta.

Vendo que tudo poderia dar errado sempre, já que a escala varia e eram em locais diferentes com esquemas diferentes, decidi fazer uma alteração teste no próximo dia de trabalho. Na consulta antes de viajar, minha médica tinha me dado umas caixas de Forxiga com a orientação de usar em dias totalmente fora da rotina em que eu pudesse me perder com dosagens da basal. O Forxiga faz com que a 'glicose' saia por meio da urina, quando a glicemia fica muito alta, evitando hiperglicemias.

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Eu já tinha tomado algumas vezes em São Paulo antes de viajar e já tinha achado o efeito surpreendente, realmente ficava bem mais difícil ter hiper e aumentavam as idas ao banheiro.

No dia da Cerimônia de Abertura, que a escala era parecida com a do ensaio, mas com horário de lanche diferente, resolvi fazer o teste. Tomei uma dosagem menor de basal e café reforçado por volta do meio dia. Junto tomei um comprimido do Forxiga. Na correria fui beliscando uns lanchinhos e corrigindo normalmente com a Humalog e na hora do jantar a glicemia estava até que linda: 120.

Segui esse esquema todos os outros dias de trabalho e em todas as medições a glicemia não passava de 160. Achei o máximo. Nos dias em que eu não trabalhava e que sabia que a rotina seria parecida com os dias normais da vida, seguia o esquema de sempre sem Forxiga.

Junto a isso, tentei medir todas as vezes possíveis e corrir tudo que comia. Em dias mais emocionantes, como na final do futebol masculino, rolaram alguns pequenos esquecimentos, mas o Forxiga segurou bem.

Até com a adrenalina ele ajudou e olha que foram muitas emoções. Uma das melhores experiências da minha vida. E agora já sei que estou preparada para Tokyo 2020. Partiu?

Luana Alves

Tenho mania de escrever e de ver sempre o lado bom das coisas. Com diabetes desde 2010, acredito que uma vida controlada e divertida é possível sim. Jornalista, creio que posso ajudar os outros a acreditar também. Que saber mais sobre mim? Clica aqui!

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